Mensagens

Tudo aquilo que não procurei...

Na vida sempre encontrei,
tudo aquilo que não procurei...
que não escrevi em papel,
que não pensei nas longas noites,
de divagações e introspecções,
que não pedi em cartas,
que lançava ao vento,
amarradas em fita vermelha,
que caíam ao mar... perdiam-se,
enquanto a tinta se esborratava e
as palavras se desvaneciam.
Na vida sempre encontrei,
tudo aquilo que não procurei...
pessoas, sentimentos...
viagens, momentos;
que se juntavam numa vida...
a minha!
Na vida continuo a encontrar,
tudo aquilo que não procuro...
ou prefiro inocentemente acreditar,
que és tu que me encontras,
como duas folhas que se encontram,
na loucura do vento de Outono,
que se juntam numa vida...
a nossa!

Um beijo a todos os que me lêem, mesmo na ausência de leitura... mesmo quando as palavras me faltam e um beijo especial para o "Mau-feitio"! :)

Aquilo que deixamos de dizer...

Há uns dias fui a um restaurante, onde fui muito bem atendida... a comida era boa e a bebida ainda melhor. Depois da refeição desloquei-me sorrateiramente até ao WC, para fazer o tipo de coisas que mais ninguém puderá fazer por mim. Tal foi o meu espanto, quando me fechei no cubículo minúsculo e dei de caras, com uma porta, que mais parecia as portas das casas de banho de liceu, coberta de frases, do tipo:
“Ana love’s Ricardo”, “Joni sou tua para sempre”, “Abaixo os porcos fascistas”, “A Gina esteve aqui” (acredito).
Para além desta vasta panóplia de literatura cultural, temos ainda uma tentativa “kitch” de voltar às pinturas rupestres (das cavernas), de traçado grosseiro, com pincelada da grossa (no WC do lado).
Foi por estas alturas, que comecei a indagar o “porquê” de tal crueldade visual.
Seria para que o “Ricardo e o Joni” vissem o que a “Ana e a Sua(do Joni)” escreveram? Seria pela Arte? Seria para nos torturar?
Depois de pensar durante alguns minutos, cheguei à conclusão, à qual já…

Brinco com as palavras

Brinco com as palavras,
pulo e salto à corda e
com elas me enforco.
Crio histórias irreais,
que um dia apagarei,
da memória que guardo,
num cofre vermelho,
com uma chave que deitei fora.
Brinco, trinco e atiro ao ar,
as palavras que escrevo no mar...
longas frases que não se lêem,
que permanecerão ilesas,
presas no oceano da mente...
profundo o Mundo de ilusão,
de borboletas sem asas,
de anjos confusos e indefesos.
Brinco com as palavras,
jogo ao galo e às cartas,
conto histórias de fadas...
declamo poemas em silêncio,
desenho no papel as letras,
que no fim só te querem dizer...
Estarei sempre perto de ti!

(Este já o tinha no cofre)

My precious!...

Arco-íris bébé

Chegaste um dia, passado muito tempo...
Atrasado, no silêncio e na penumbra...
Pintaste o céu de cores fortes,
da força decisiva do vermelho vibrante,
da frieza indiscritível do cinzento cortante,
da magia absoluta do azul profundo,
da esperança inocente do verde do Mundo,
da luz infinita do amarelo do Sol,
do medo intenso do preto da noite,
da paixão adolescente do rosa choc.
Depois da experiência que é o arco-íris,
que nos envolve e transporta para outra dimensão;
chegaste à estranha conclusão,
de que não o queres de cores fortes.
Preferes a calma e tranquilidade,
a suavidade e doçura, de outras cores...
Preferes um arco-íris bébé!

(Este é só para ti!)

Respirar no tempo...

Tive de vir a correr até à janela, para respirar!...
Respirei fundo como se fosse a última vez... peguei nas chaves do carro e saí de casa. Saí sem medo e decidida a decidir o que quer que houvesse para decidir.
Dentro de mim, começava agora a expandir-se uma força fora do comum.
Enfrentei a falta de luz, do avançar das horas, a falta de paciência, que de natureza já não é muita e a falta tremenda que me fazes, nos milésimos de segundo que formam a minha vida.
O dia de hoje começou mal! Mal, com os canos da cozinha... péssimo, com o meu pai a dizer-me que não quer voltar a pôr-me a vista em cima, devido às minhas escolhas para o futuro e como se não bastasse, o meu cão Cassy Jones, apareceu envenenado no jardim da minha casa. Tais acontecimentos, fizeram com que eu tomasse a decisão de faltar ao trabalho e de parar de esconder os meus sentimentos, antes que seja tarde demais.
Saí de casa a 1000km/h, não fosse a noite ter pressa demais, para se ir embora.
A condução estava um pouco acelerada…

Silent scream (quente e frio)

Devia ser fácil, passar as páginas da nossa vida para a frente, uma a uma, sem nada temer. Virar a página!...
Passar para um próximo capítulo...
Os capítulos, espreitam-me, mas na verdade, como qualquer cobarde, visto-me de medo e não passo do ponto final.
Faço do ponto final, o imenso abismo, o buraco escuro, solitário e labiríntico, de onde não me atrevo a sair.
Falta-me, possivelmente, um desafio... algo que soe a aventura, talvez um pouco de segurança.
Sem dúvida... Segurança e certeza!
De certezas não tenho muito e ouvi dizer, que o coração não bate assim!

Catch me (if you can)

Sopro de vento no teu rosto,
Não fosse o vento de algodão...
Suave...
Suspiro intenso de vida,
Que me vira do avesso...
Sentimento...
Fez-se ouvir no silêncio,
a voz que calava há muito...
Som...
Cresceu a emoção, a sensação
De nada e de tudo,
de não saber a resposta,
da incerteza de um olhar,
Que de estranho inspira confiança.
Estranhos que se cruzam,
Nas ruas movimentadas e cinzentas
Transformam o que outrora era incolor,
Num vermelho profundo...
Uma dor, um sabor, um fugor...
Uma rosa que toma vida,
Com a força das pétalas,
Que despertam dum longo sono.
Abriram-me as portas de outro Mundo,
Espreito a medo...
Esgueiro-me, esquiva e silenciosa,
Com a rapidez de um felino,
Penso ser como um predador,
Mas vejo-me presa nas redes...
Presa como a presa, que não desejei ser...

Rosas - um amor que nem a morte separa

Perdi-me naquele dia de Sol...
Num dia que apesar de estar um Sol quente de Verão, senti-me no mais profundo e rigoroso, dos invernos.
Tinha ido fazer aquilo que faço todos os Domingos.
Peguei no carro e conduzi-me até ao Cabo da Roca, onde ía pedir ao mar que fizesse chegar as flores até ti. A ti que te tinha perdido, num dia de chuva e tempestade.
Esquecer-te estava a tornar-se uma tarefa impossível, apesar de todos me dizerem que para meu bem, tinha de deixar-te partir. Este ritual estava a destruir-me, diziam muitas vezes, principalmente quando pensavam que eu não estava a ouvir.
A verdade é que nunca me perguntaram porque o fazia... sempre se preocuparam mais com eles, do que comigo.
Ainda hoje fecho os olhos e imagino-te a dormir e ainda consigo fazer os teus retratos a sépia, com o mesmo pormenor que sempre os fiz e são eles que dão vida à minha vida. São eles que te mantêm vivo e perto.
Por vezes penso, que tal como tu, não devia ter acordado naquele dia e ainda hoje estaríamos jun…

Ser sublunar

O dia em que o Sol nasceu e vestiu-se de laranja efervescente...
O dia mais quente do ano.
Esse em que subi aos céus, só para te ver,
Escondida entre as nuvens, brindei à tua sublime ternura...
Este ser sublunar, ébrio de emoções, inquieto e curioso...
Espreita-te de longe.
Não ouso tocar-te, com medo de alterar a tua natureza...
Essa natureza ímpar, que faz de ti...
A côr; o som, a imagem, o ponto, o espírito.
Esse dia em que o Mar reflectia como um espelho...
O dia mais brilhante do ano.
Esse em que contei às borboletas, o meu sonho,
De ter umas asas que me levassem mais vezes,
Para perto de ti.
Peço ao vento, de mansinho, o seu sopro,
Na esperança vã, que com ele,
Venhas suavemente...em busca do desconhecido.
A noite em que a Lua se mostrou nua...
A noite mais quente do ano.
Essa em que te encontrei, junto às rochas,
Pensativo e longe, distraído com a vida,
Até que sentiste a minha presença e
Me preencheste com esse sorriso.
Este ser sublunar, ébrio de emoções, inquieto e curioso...
Não voltou a espreit…

A história mais linda...

Esta é uma história, que podia até, estar relacionada com o Natal, mas não está.
Passa-se num bosque, depois do limite de uma grande cidade, numa pequena cabana, construída em madeira.
Aproximo-me, tentando não fazer barulho.
Espero não pisar nenhuma folha seca, apesar de ser uma tarefa complicada, visto o manto que cobre a terra, ser tão vasto.
Consigo chegar à janela, onde vejo a luz de uma vela, que arde, sem pedir licença, enquanto, um homem, escreve, completamente embriagado pelas palavras, que lhe saem do pensamento.
Regista, em tinta preta, num papel, aparentemente macio, as ideias que se soltam e que viajam, desde a sua cabeça, até chegarem à sua mão, que firmemente, agarra na caneta.
Tem um ar tão distante, como se estivesse num mundo paralelo a este.
Deve ser isso que acontece, quando se escreve...o nosso corpo, permanece nesta realidade, neste mundo, mas a nossa mente, começa numa viagem, sem fim.
De dentro da casa, vem um cheiro delicioso, a café acabado de fazer e um calor, que e…