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Segundos...(sonho)

Queria que sentisses a brisa da manhã...a mesma que me tocou o rosto há segundos atrás.
Aquela que energicamente, levantou do chão a folha, que teimava em permanecer sozinha, no mesmo milésimo de segundo, em que os nossos olhares se cruzaram... se quebraram da monotonia do vazio e da solidão.
No pequeno instante, em que do teu rosto nasceu um sorriso, uma brecha de felicidade, no meu nasceu a incerteza do teu gesto... a expressão curiosa de ser e de não saber o que fazer.
Sente-se o perfume do mar, a pairar pelo ar e o calor do Sol a queimar a pele, cansada de esperar pela suavidade da chuva miudinha, das pequenas gotas que caíem do céu e que trazem com elas, o arco-íris...
Senti o teu toque, no meu ombro, enquanto espreitava uma criança, na plenítude da sua inocência... no esplendor do seu riso.
Sussurraste uma canção desconhecida, com uma melodia descontraída, enquanto das tuas costas surgiam umas enormes asas, de penas brancas, que te rasgaram a carne, sem pedir licença.
Do teu rosto, j…

Eryka Lobo no TOP (velhos tempos)

Quando é que eu pensei que alguma vez ía estar no Top e que por breves momentos no 1ºlugar?
NUNCA!
Bem, talvez não seja bem assim...
Em tempos pensei que chegaria ao Top, mas para isso acontecer, o Emanuel tinha de se reformar e a Ágata tinha de levar a sobrinha e o resto da família para a Santa-Terrinha.
Aí sim, já posso imaginar, o sucesso...
Eryka Lobo, a nova cantora de *música popular portuguesa* (PIMBA).
Ir até às aldeias (Lindo-Cachoupo e Nossa Sra.-nos-valha) espalhar alegria com os meus grandes sucessos, *Apita a bicicleta cor-de-rosa com cestinho*, *A moda do toca-e-foge*, *O meu nome é Luís Miguel, mas podes chamar-me de Rosemary (Rosa Maria)* e o mais recente *O delírio das panquecas*.
Poder ver sorriso esboçado pelo Zé Manuel, da Freguesia de Molha-Todos, quando subo ao palco, com as coreografias que aprendi ao ver as VHS, que comprava na papelaria do Sr. Crisóstomo, à 2ª feira.
Os vestidos elaborados pela Sra. D. Francisca, que é uma amiga de família, sempre feitos com a ajuda …

Tudo aquilo que não procurei...

Na vida sempre encontrei,
tudo aquilo que não procurei...
que não escrevi em papel,
que não pensei nas longas noites,
de divagações e introspecções,
que não pedi em cartas,
que lançava ao vento,
amarradas em fita vermelha,
que caíam ao mar... perdiam-se,
enquanto a tinta se esborratava e
as palavras se desvaneciam.
Na vida sempre encontrei,
tudo aquilo que não procurei...
pessoas, sentimentos...
viagens, momentos;
que se juntavam numa vida...
a minha!
Na vida continuo a encontrar,
tudo aquilo que não procuro...
ou prefiro inocentemente acreditar,
que és tu que me encontras,
como duas folhas que se encontram,
na loucura do vento de Outono,
que se juntam numa vida...
a nossa!

Um beijo a todos os que me lêem, mesmo na ausência de leitura... mesmo quando as palavras me faltam e um beijo especial para o "Mau-feitio"! :)

Aquilo que deixamos de dizer...

Há uns dias fui a um restaurante, onde fui muito bem atendida... a comida era boa e a bebida ainda melhor. Depois da refeição desloquei-me sorrateiramente até ao WC, para fazer o tipo de coisas que mais ninguém puderá fazer por mim. Tal foi o meu espanto, quando me fechei no cubículo minúsculo e dei de caras, com uma porta, que mais parecia as portas das casas de banho de liceu, coberta de frases, do tipo:
“Ana love’s Ricardo”, “Joni sou tua para sempre”, “Abaixo os porcos fascistas”, “A Gina esteve aqui” (acredito).
Para além desta vasta panóplia de literatura cultural, temos ainda uma tentativa “kitch” de voltar às pinturas rupestres (das cavernas), de traçado grosseiro, com pincelada da grossa (no WC do lado).
Foi por estas alturas, que comecei a indagar o “porquê” de tal crueldade visual.
Seria para que o “Ricardo e o Joni” vissem o que a “Ana e a Sua(do Joni)” escreveram? Seria pela Arte? Seria para nos torturar?
Depois de pensar durante alguns minutos, cheguei à conclusão, à qual já…

Brinco com as palavras

Brinco com as palavras,
pulo e salto à corda e
com elas me enforco.
Crio histórias irreais,
que um dia apagarei,
da memória que guardo,
num cofre vermelho,
com uma chave que deitei fora.
Brinco, trinco e atiro ao ar,
as palavras que escrevo no mar...
longas frases que não se lêem,
que permanecerão ilesas,
presas no oceano da mente...
profundo o Mundo de ilusão,
de borboletas sem asas,
de anjos confusos e indefesos.
Brinco com as palavras,
jogo ao galo e às cartas,
conto histórias de fadas...
declamo poemas em silêncio,
desenho no papel as letras,
que no fim só te querem dizer...
Estarei sempre perto de ti!

(Este já o tinha no cofre)

My precious!...

Arco-íris bébé

Chegaste um dia, passado muito tempo...
Atrasado, no silêncio e na penumbra...
Pintaste o céu de cores fortes,
da força decisiva do vermelho vibrante,
da frieza indiscritível do cinzento cortante,
da magia absoluta do azul profundo,
da esperança inocente do verde do Mundo,
da luz infinita do amarelo do Sol,
do medo intenso do preto da noite,
da paixão adolescente do rosa choc.
Depois da experiência que é o arco-íris,
que nos envolve e transporta para outra dimensão;
chegaste à estranha conclusão,
de que não o queres de cores fortes.
Preferes a calma e tranquilidade,
a suavidade e doçura, de outras cores...
Preferes um arco-íris bébé!

(Este é só para ti!)

Respirar no tempo...

Tive de vir a correr até à janela, para respirar!...
Respirei fundo como se fosse a última vez... peguei nas chaves do carro e saí de casa. Saí sem medo e decidida a decidir o que quer que houvesse para decidir.
Dentro de mim, começava agora a expandir-se uma força fora do comum.
Enfrentei a falta de luz, do avançar das horas, a falta de paciência, que de natureza já não é muita e a falta tremenda que me fazes, nos milésimos de segundo que formam a minha vida.
O dia de hoje começou mal! Mal, com os canos da cozinha... péssimo, com o meu pai a dizer-me que não quer voltar a pôr-me a vista em cima, devido às minhas escolhas para o futuro e como se não bastasse, o meu cão Cassy Jones, apareceu envenenado no jardim da minha casa. Tais acontecimentos, fizeram com que eu tomasse a decisão de faltar ao trabalho e de parar de esconder os meus sentimentos, antes que seja tarde demais.
Saí de casa a 1000km/h, não fosse a noite ter pressa demais, para se ir embora.
A condução estava um pouco acelerada…

Silent scream (quente e frio)

Devia ser fácil, passar as páginas da nossa vida para a frente, uma a uma, sem nada temer. Virar a página!...
Passar para um próximo capítulo...
Os capítulos, espreitam-me, mas na verdade, como qualquer cobarde, visto-me de medo e não passo do ponto final.
Faço do ponto final, o imenso abismo, o buraco escuro, solitário e labiríntico, de onde não me atrevo a sair.
Falta-me, possivelmente, um desafio... algo que soe a aventura, talvez um pouco de segurança.
Sem dúvida... Segurança e certeza!
De certezas não tenho muito e ouvi dizer, que o coração não bate assim!

Catch me (if you can)

Sopro de vento no teu rosto,
Não fosse o vento de algodão...
Suave...
Suspiro intenso de vida,
Que me vira do avesso...
Sentimento...
Fez-se ouvir no silêncio,
a voz que calava há muito...
Som...
Cresceu a emoção, a sensação
De nada e de tudo,
de não saber a resposta,
da incerteza de um olhar,
Que de estranho inspira confiança.
Estranhos que se cruzam,
Nas ruas movimentadas e cinzentas
Transformam o que outrora era incolor,
Num vermelho profundo...
Uma dor, um sabor, um fugor...
Uma rosa que toma vida,
Com a força das pétalas,
Que despertam dum longo sono.
Abriram-me as portas de outro Mundo,
Espreito a medo...
Esgueiro-me, esquiva e silenciosa,
Com a rapidez de um felino,
Penso ser como um predador,
Mas vejo-me presa nas redes...
Presa como a presa, que não desejei ser...

Rosas - um amor que nem a morte separa

Perdi-me naquele dia de Sol...
Num dia que apesar de estar um Sol quente de Verão, senti-me no mais profundo e rigoroso, dos invernos.
Tinha ido fazer aquilo que faço todos os Domingos.
Peguei no carro e conduzi-me até ao Cabo da Roca, onde ía pedir ao mar que fizesse chegar as flores até ti. A ti que te tinha perdido, num dia de chuva e tempestade.
Esquecer-te estava a tornar-se uma tarefa impossível, apesar de todos me dizerem que para meu bem, tinha de deixar-te partir. Este ritual estava a destruir-me, diziam muitas vezes, principalmente quando pensavam que eu não estava a ouvir.
A verdade é que nunca me perguntaram porque o fazia... sempre se preocuparam mais com eles, do que comigo.
Ainda hoje fecho os olhos e imagino-te a dormir e ainda consigo fazer os teus retratos a sépia, com o mesmo pormenor que sempre os fiz e são eles que dão vida à minha vida. São eles que te mantêm vivo e perto.
Por vezes penso, que tal como tu, não devia ter acordado naquele dia e ainda hoje estaríamos jun…